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Nota

Arte Sequencial e Educação: Usando Banda Desenhada para Educar e Entreter.

Às vezes eu ouço afirmações do género “ler banda desenhada é um desperdício de tempo”, “as crianças devem estar a ler livros de verdade e não apenas vendo para desenhos bonitos”. Tais afirmações, mesmo quando bem-intencionadas, são feitos sempre com a ideia de que a banda desenhada é “nocivo para a educação das crianças”. Eu discordo. Como eu disse anteriormente, as pessoas são “animais que contam histórias “, um exemplo de Arte Sequencial, a Banda Desenhada, pode ser usada tanto para contar histórias ou para transmitir informação. Na minha opinião as melhores bandas desenhadas tentam fazer ambas essas coisas. Se uma imagem vale mais que mil palavras, quanto vale uma série de imagens, juntamente com as palavras certas? A correta combinação de imagens e palavras podem permitir que as crianças sejam apresentadas às ideias da ciência, da história e até mesmo as questões contemporâneas, de uma forma adequada as suas capacidades.

Considere o seguinte: em 1964, o cientista dinamarquês, Karl Kroeyer, levantou um cargueiro afundado perto do porto de Kuwait, no Golfo Pérsico, por enchendo este com bolhas de espuma de poliestireno expansível. Como desenvolveu essa ideia? Através da leitura de algo semelhante numa história de banda desenhada quando era jovem! Em Walt Disney’s Comics and Stories #104, (Maio 1949), o Pato Donald e seus sobrinhos levantaram um navio afundado no fundo do mar, enchendo o interior do barco com bolas de pingue-pongue. As bolas de pingue-pongue encheram o porão, deslocando a água do navio e dando-lhe flutuabilidade suficiente para flutuar até à superfície.

A solução que Kroeyer desenvolveu foi essencialmente a mesma do que a das bolas de pingue-pongue, com ambos os métodos baseando-se na flutuabilidade como mecanismo – chave. Mais tarde, quando Kroeyer tentou patentear o seu processo, o seu pedido foi negado porque o método havia sido publicado numa banda desenhada 15 anos antes!

Esta história com as bolas de pingue-pongue não é o único exemplo do Pato Donald a utilizar a ciência para resolver um problema. O combate aos incêndios florestais, explicando navios fantasmas e, a exploração subaquática recebem o mesmo tratamento científico.

Outro exemplo de Arte Sequencial que consegue encontrar o equilíbrio certo entre a Conto e Ciência, e que educa e diverte, são as series de animação educacional francesas “Il Était Une Fois…”, “Era Uma Vez …”. Estas series, da Procidis, abordam vários temas, tais como a história da humanidade em geral, o funcionamento do corpo humano, a história do continente americano, os vários pensadores e inventores ao longo da história, os diversos exploradores, e a preservação do ambiente natural.

Como um exemplo específico podemos referir, “Era Uma Vez … a Vida”. Esta retrata o funcionamento do corpo humano através de uma metáfora. Ao longo da série com 26 episódios, o corpo humano é retratado como uma sociedade complexa. Em cada episódio da série, um órgão ou sistema interior do corpo humano (como o cérebro, o coração, o sistema circulatório, etc), é caracterizado. Personagens boas representam as células que formam os sistemas do corpo e os mecanismos de defesa, tais como glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas, enquanto as personagens más representam os vírus e as bactérias que ameaçam e atacam o corpo humano.

Crianças de países tao diversos como a Bélgica, Canadá, Checoslováquia, Finlândia, França, Gabão, Alemanha, Grécia, Hungria, Islândia, Irlanda, Israel, Itália, Japão, Holanda, Noruega, Polônia, Portugal, África do Sul, Espanha, Suécia, Suíça, Turquia, o Reino Unido, e Croácia, tiveram a oportunidade de ver o funcionamento interno do corpo, de uma maneira que era factual, divertido e compreensível. Muitas crianças, inclusive eu, gostávamos e antecipavam, o próximo episódio.

Histórias de Banda Desenhada e Ciência pode realmente interligar, mas nem sempre combinam bem. Muitas Banda Desenhadas não conseguem o necessário equilíbrio entre a diversão e a educação. Quando isso acontece, a ciência é muitas vezes sacrificada para a história possa progredir. Assim a ciência torna-se enigmática ou implausível.

Contraste esta abordagem com a abordagem seguida por Carl Barks, que escreveu e desenhou quase todas as aventuras do Pato Donald publicados pela Disney Comics entre 1942 e 1966. Barks valorizava a inteligência de seu público. Numa entrevista publicada em 1985, Barks declarou: “Eu não concordo com ideia dos editores de que as crianças que compravam. . . bandas desenhadas eram bebês choramingões ignorantes. Eu assumia que o meu leitor típico era de cerca de 12 anos de idade, semi – experiente, e já bem informado sobre mecânica, história, ciência, natureza, viagens, e assim por diante. “Barks também acreditava que,” leitores de qualquer idade seriam entretidos, de forma mais agradável, por histórias que fossem escritas plausivelmente desenhadas de forma acreditável. ”

Em vez de descartar as bandas desenhadas que deturpam a ciência completamente, uma abordagem mais útil é usá-los como exemplos. Considere varias bandas desenhadas com os seguintes Super-heróis: Super-homem, Hulk, Homem-Aranha e Batman. Cada um destes pode ser usado para ver como a história “apresenta a ciência de forma certa ou errada”.

Poderá um ser como o Super-homem, que recebeu um grande número de “superpoderes” ao ser exposto a “luz solar de uma cor diferente”, existir? Poderá Bruce Banner ter sobrevivido a uma explosão de raios gama? Será que essa explosão poderia lhe ter dado a capacidade de aumentar seu tamanho e força física como resultado de raiva? Considere o Batman, um super-herói sem superpoderes. Será que os itens de combate ao crime, que ele carrega no seu cinto (Batbelt) existem? Será que os poderes que Peter Parker desenvolveu tem qualquer semelhança com as de uma aranha verdadeira? Interessado em explorar essas questões? Veja o livro “A Ciência dos Super-Heróis”, de Lois Gresh e Robert Weinberg .
Junte – se a mi no “próximo capítulo”, para uma breve discussão de Will Eisner, considerado como o pai do romance gráfico, bem como a relação de Arte Sequencial com a História, o Jornalismo e, questões contemporâneas.

Mas enquanto espera, pegue numa Banda Desenhada e tenha uma leitura divertida! Vejo vocês em breve! Poderá também espreitar as seguintes bandas Desenhadas disponíveis online, que tentam educar e entreter:

  • Muito boa abordagem ao potencial que a Arte Sequencial pode ter em contextos adequados! Muito bom, gostei!

    Roberto Alves

    13 de Outubro de 2012

  • […] Desenhada e História: Desenhando os Contos do Passado. Comentários recentesRoberto Alves em Arte Sequencial e Educação: Usando Banda Desenhada para Educar e Entreter.Mary Mendes em Cerimônias Tradicionais: Cultura e Costumes de Angola (Parte 5)Joseph Martins em […]

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