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Posts tagged ‘bernardo sassetti’

Aparte

Bernardo Sassetti: Musician of Silence – A Tribute

It has been a week since Bernardo Sassetti passed away! I was saddened to hear about the death of a great pianist and am writing this as a kind of tribute. I hope it does him justice.

Sassetti had many interests and drew from many influences. He was by no means one dimensional. Though he was as a jazz musician he was not limited to “just jazz”. Throughout his career he worked with musicians of all types: jazz, fado, pop and hip-hop. Sassetti was, at his peak, largely unconcerned with labels, less concerned with whether his music would be accepted as jazz, sound track or classical.

He was more concerned about the whole effect of his music. This refusal to be easily categorized is part of the reason why Sassetti has been praised as one of the most creative composers of his generation. It is also one reason why I find his work so interesting. The other reason is its sheer variety. Sassetti also had a keen interest in film and photography, areas that mirror my own interests.

Sassetti came to music early on with “music in his blood”, he was grand-nephew of composers Luis de Freitas Branco and Pedro de Freitas Branco. His training in classical piano began at age 9. At 18 he began his journey into the world of jazz, studying with musicians such as Zé Eduardo, Horace Parlan and Sir Roland Hanna; and playing with the Carlos Martins Quartet and Moreiras Jazztet. Clean Feed Records, which distributes his work, points out the additional influences of Bill Evans and Keith Jarrett.

The quality of Sassetti´s work can be seen, in part, by the recognition and awards he received. In 2001, together with his trio, he represented Portugal in the 1st European Jazz Festival in Athens. His 2006 album Unreal: Sidewalk Cartoon received a four-star rating (of a possible four) in The Penguin Guide to Jazz (9th ed.), and was selected for The Penguin Jazz Guide: The History of the Music in the 1000 Best Albums.

Throughout his music he emphasized the importance of silence, calling himself a “musician of silence”. We can see this preoccupation in his work “Ascent”, about which he said “For the first time in my career, this is a work that is seen as a whole.

Ascent combines all three of his areas of interest: music, film and photography. In Ascent he sought to combine “visual art” with “audible art” and to combine “improvised music” with “classical music”, producing a work which heralded his maturity as a composer. In Ascent the musicians are characters. Each of the compositions has a narrative strand which develops progressively, beginning and ending in silence, producing what he called “music of silence”. Furthermore Ascent was composed as homage to cinema. Sassetti was inspired by the modern techniques of film making, laying out the music in a similar fashion.

Sassetti´s work in film was also quite extensive. He composed the musical score for 15 movies: Aniversário; Facas e Anjos; As Terças da Bailarina Gorda (short); O Segredo; Maria do Mar; Lent; Maria e as Outras; The Miracle According to Salomé; The Murmuring Coast; Alice; 98 Octanas; Antes de Amanhã (short), Second Life; As Ilhas Desconhecidas; How to Draw a Perfect Circle. He can also be seen acting in The Talented Mr. Ripley (1999), sitting at the piano as part of the Napoli Jazz Sextet.

If you are familiar with Sassetti ´s work, or if you want an introduction you will find much that is worth taking a look at and listening to on YouTube. First pay a visit to Sassetti´s Official Channel, where you will find various recordings of his work. You can also visit the Clean Feed Channel, where you will find a recording of Sassetti at the Teatro Academico Gil Vicente in Coimbra, made in 2004. A final clip worth looking at is the sound track of “Uma coisa de forma assim”, co-created by Clara Andermatt, Francisco Camacho, Benvindo Fonseca, Rui Lopes Graça, Rui Horta, Paulo Ribeiro, Olga Roriz, Madalena Victorino and Vasco Wellenkamp.

It has been said that “The key to immortality is first living a life worth remembering.” There was much in his life and work worth remembering.

Aparte

Bernardo Sassetti: Músico do Silencio – Um Tributo

Já passou uma semana desde a morte de Bernardo Sassetti! Fiquei triste ao ouvir da morte deste grande pianista, e escrevo isto como uma espécie de tributo. Espero que faça justiça á sua memória.

Sassetti interessava se por muitos assuntos e encontrava inspiração em muitas influências. Ele não era, de forma alguma, previsível como musico. Embora fosse um músico dedicado ao jazz, não estava limitado a “apenas jazz”. Ao longo da sua carreira ele trabalhou com músicos de todos os tipos: jazz, fado, pop and hip-hop. No seu auge, Sassetti não estava muito preocupado com rótulos, estava menos preocupado sobre a aceitação da sua música como jazz, banda sonora ou clássica.

Estava mais preocupado com o efeito total criado das suas obras. Esta recusa de ser facilmente categorizado é parte da razão pela qual Sassetti foi elogiado como sendo um dos compositores mais criativos da sua geração. É também uma das razões pela qual acho o seu trabalho tão interessante. A outra razão é a extrema variedade. Sassetti tinha interesse em cinema e fotografia, áreas que também são do meu interesse.

Sassetti iniciou-se na música bastante cedo. Nasceu com “música no sangue”, sendo bis sobrinho dos compositores Luis de Freitas Branco e Pedro de Freitas Branco. A sua aprendizagem de música clássica começou aos 9. Aos 18 iniciou a sua viagem pelo mundo do jazz, estudando com artistas como Zé Eduardo, Horace Parlan e Sir Roland Hanna. Tocou com o Quarteto Carlos Martins e o Moreiras Jazztet. Clean Feed Records, que distribuia o seu trabalho, salienta as influências adicionais de Bill Evans e Keith Jarrett.

A qualidade do trabalho de Sassetti pode ser vista, em parte, através do reconhecimento e galardoes que recebeu. Em 2001, junto com o seu trio, representou Portugal no 1º Festival Europeu de Jazz, em Atenas. Em 2006 o seu álbum Unreal: Sidewalk Cartoon recebeu uma classificação de 4 estrelas (de umas possíveis 4) em The Penguin Guide to Jazz (9ª ed.) e foi selecionado para o guia The Penguin Jazz Guide: The History of the Music in the 1000 Best Albums.

Através da sua música ele enfatizou a importância do silêncio, auto denominando-se um “músico do silêncio”. Podemos ver esta preocupação no seu trabalho “Ascent”, sobre o qual afirmou “Pela primeira vez na minha carreira, este é um trabalho que é visto como um todo”.

“Ascent” combina as suas três áreas de interesse: musica, cinema e fotografia. Em “Ascent” ele procurou fundir a “arte visual” com a “arte audível” e combinar a “música improvisada” com “música clássica”, produzindo um trabalho que anuncia a sua maturidade como compositor. Em “Ascent” os músicos são personagens. Cada uma das composições tem um elemento narrativo que desenvolve progressivamente, começando e acabando no silêncio, produzindo o que ele chamou “música do silêncio”. “Ascent” foi composto como uma homenagem ao cinema. Sassetti inspirou-se nas técnicas modernas de montagem cinematográfica, organizando a música presente na obra de uma forma semelhante.

O trabalho de Sassetti no cinema também foi bastante extensivo. Ele compôs a musica para 15 filmes: Aniversário; Facas e Anjos; As Terças da Bailarina Gorda (curta-metragem); O Segredo; Maria do Mar; Lent; Maria e as Outras; The Miracle According to Salomé; The Murmuring Coast; Alice; 98 Octanas; Antes de Amanhã (curta-metragem), Second Life; As Ilhas Desconhecidas; How to Draw a Perfect Circle. Ele pode também ser visto representando um pianista do Napoli Jazz Sextet no filme The Talented Mr. Ripley.

Se já está familiarizado com o trabalho de Sassetti, ou se procura uma introdução, pode encontrar muito que merece ser visto, e ouvido, no YouTube. Como ponto de partida, visite o seu Canal Oficial, aqui encontrara varias gravações dos seus trabalhos. Poderá também visitar o Canal da Clean Feed, onde encontrará uma gravação de Sassetti tocando no Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra, 2004. Um ultimo clip que merece ser visto é a banda sonora de “Uma coisa de forma assim”, uma obra co-criada por Sassetti, Clara Andermatt, Francisco Camacho, Benvindo Fonseca, Rui Lopes Graça, Rui Horta, Paulo Ribeiro, Olga Roriz, Madalena Victorino e Vasco Wellenkamp.

Já ouve dizer algures que “A chave para a imortalidade é primeiro viver uma vida que mereça ser lembrada”. Há muito na sua vida e trabalho que merece ser relembrado.