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Posts tagged ‘historia’

Nota

Reis e Nobre em Palco: “Uma História de Amor Sem Fim”

Qual é a sensação de estar em palco? Sentimos borboletas no estômago, as mãos tornam – se húmidas, a boca fica seca. A ansiedade do desempenho, de fazer um bom trabalho ataca enquanto esperamos o subir da cortina. As luzes diminuem, e o público fica mais silencioso. As cortinas começam a subir e, de repente, chegou a hora. O público espera, você interpreta o texto que veio a ensaiar e decorar. Respondemos e antecipamos os nossos colegas, olhamos a reação do público. Cena segue – se a cena, e subitamente, chegou a hora da cortina começar a descer. Esperamos o aplauso do público, na esperança que seja um aplauso saudável, e não apenas cortês. E de repente a peça acabou.

Enquanto todas as Artes e Humanidades tentam comentar sobre os vários aspetos da existência humana, o Teatro é de especial interesse para mim. No Teatro um dos aspetos que nos define como espécie, a nossa tendência de ser “um animal que conta histórias” é particularmente aparente. Quando Shakespeare escreveu que “Todo o mundo é um palco, e todos os homens e mulheres meros atores”, ele fez uma afirmação que parece bastante simples, mas que pode ser interpretado em muitos níveis diferentes. Descobri alguns destes níveis na minha primeira viagem ao mundo do Teatro, como Atriz na peça “História de Amor Sem Fim”, ao lado do grande ator Fernando Nobre.

Embora eu já tinha representado antes para a televisão, a minha primeira experiência representando ao vivo, no palco foi, como dizem “um animal completamente diferente”. Na televisão um desempenho pode ser, se a agenda o permitir, repetida. Os detalhes podem ser alterados. O produto final pode ser “polido” através de várias técnicas de produção. Nenhuma dessas garantias e salvaguardas existem no palco. Há pouco espaço para errar, e qualquer erro cometido deve ser corrigido, ou compensado, imediatamente. Isso é uma forma pela qual a vida pode imitar a arte. Em ambos Arte e Vida poderemos nunca chegar a ter uma segunda hipótese de fazer uma boa primeira impressão. Você estar sempre em alerta.

Outra razão pela qual estou rapidamente desenvolvendo uma forte apreciação pelo Teatro é porque, ao contrário de muito do que aparece na televisão, uma boa peça de Teatro nunca tem o intuito de ser apenas lúdica.

Há sempre uma tentativa de explorar ideias filosóficas e apresentar estas através do contar de uma história. Baseando – se em textos de William Shakespeare e Fernando Pessoa, a peça “História de Amor Sem Fim” reuniu música, dança e moda. Algumas das cenas convocam as suas lágrimas, enquanto outras produzem gargalhadas de riso. Ao longo de toda a peça no entanto, houve um tema subjacente: “Amar uns aos outros”, o que é sempre uma boa mensagem de compartilhar.

Você por acaso teve a hipótese de ver esta Peça quando Fernando Nobre e eu a representamos em Lobito? Deixe-nos uma mensagem ou um comentário acerca do que viu. Diga-nos o que você pensa sobre a minha primeira Peça de Teatro!

Nota

D. W. Griffith: O Nascimento de Uma Nação e o Nascimento do Cinema Moderno

Em todos os campos de atividade humanas existem aqueles indivíduos cujo trabalho engloba tudo o que veio antes deles. Estas são pessoas cujo trabalho redefine o âmbito das suas áreas para as gerações futuras. Tudo o que for feito depois é medido em referência, e depende de, o trabalho destes indivíduos. No campo do Cinema D. W. Griffith foi uma destas pessoas.

O seu épico de três horas O Nascimento de Uma Nação, conta a história da Guerra Civil em si. Relata o assassinato de Abraham Lincoln e a ascensão do KKK (Ku Klux Klan), retratando as vidas de duas famílias que viveram esta experiencia. A história é contada de uma forma que nunca antes tinha sido feito. D. W. Griffith expandiu os limites da “arte de contar histórias no ecrã prateado”, relatando uma história bastante rica e complicada.

Usando as técnicas ao seu dispor Griffith procurou evocar uma resposta emocional no espectador. Ele começou a transformar este meio emergente de um ofício, para uma Arte. As fundações para o tipo de cinema que você e eu vimos hoje, tinham sido colocadas.

Como é que isto foi feito? Parte da razão é que em O Nascimento de Uma Nação D. W. Griffith introduziu as seguintes inovações, muitas das quais tornando- se características regulares do cinema:

  • uso de cartões de titulo ornamentados
  • uma banda sonora com composição original levada a cabo por uma orquestra
  • introdução de trabalho fotográfico noturno (usando fogachos de magnésio)
  • uso de paisagens naturais como pano de fundo
  • uso definitivo da técnica “still shot
  • trajes elaborados, de forma a recriar autenticidade histórica e exatidão
  • muitas cenas filmadas de variados e múltiplos ângulos
  • uso da técnica cinematográfica ‘iris’ (expandir ou contrair as mascas circulares, para mostrar e abrir a cena, ou fechar e ocultar parte de uma imagem)
  • o uso de ação paralela e de edição numa sequência
  • uso extensivo de “color tinting” (tingimento com cor) para obter efeitos dramáticos ou psicológicos
  • o uso efectivo de aproximações de camara, em ecrã completo, para revelar expressões intimas
  • intercâmbios entre familiares bastante intimas e lindamente construídas
  • o uso de breves descrições (vinhetas) vistas em ‘balões’ ou “iris shots”, numa porção do ecrã escurecida
  • o uso das técnicas “fade out” e “cameo profile”- perfil de camafeu (uma aproximação media frente a um fundo desfocado)
  • o uso da técnica “lap dissolve” para misturar, ou trocar de uma imagem para outra
  • filmagem a partir de ângulos altos e uso abundante de filmagens panorâmicas de longa distância
  • dramatização de acontecimentos históricos numa historia comovente
  • cenas de batalha impressionantes e bem encenadas, utilizando centenas de figurantes (utilizados de forma a parecerem milhares
  • uso de “cross cutting” extensivo entre duas cenas de forma a criar um efeito- montagem e gerar entusiasmo e suspense
  • contar a historia de uma forma polida, com um desenvolvimento progressivo do filme, rumo a um clímax dramático

Estas inovações tiveram como resultado um filme de aparência bastante genuíno e autêntico. Um filme de qualidade quase “documentário”, que reconstruiu uma época turbulenta de uma forma vivida. Estudiosoa do cinema concordam que O Nascimento de Uma Nação é o filme mais importante e fundamental de todo tempo, na história cinematográfica Americana. A importância de Griffith para o cinema Amenricano pode ser resumida nas seguintes duas citações:

Charlie Chaplin chamou-o

“O Professor de todos Nos”

Orson Welles afirmou que

“Nenhuma cidade, nenhuma indústria, nenhuma profissão, nenhuma forma de arte deve tanto a um único homem”.

Numa próxima visita ao cinema, tente ver quantas das suas inovações consegue reconhecer. Depois imagine ver o mesmo filme sem nenhuma delas! Penso que irá concordar que a historia de certeza não seria tão divertida, nem tão empolgante.

Quer saber mais sobre D. W. Griffith e o seu trabalho? Veja os seguintes links:

The Birth of A Nation (O Nascimento de Uma Nação): Filme no Domínio Público disponível, entre outros, no website www.archive.org.

Visions of Light (Visões de Luz): Um documentário de 1992 que contempla a arte cinematográfica desde a sua conceção. Muitos cineastas e cinematógrafos apresentam os seus pontos de visão e analisam porque a arte cinematográfica é tao importante no processo de “fazer um filme”.